Segundo Camargo (1994) “os movimentos humanos não só geram ritmos, como também se constituem num método pedagógico direto, útil e até mesmo, indispensável para o desenvolvimento do instinto rítmico”. O avanço dos recursos eletrônicos do nosso século tem possibilitado um tecnicismo rítmico, no mais elevado grau. Isso, porque na música eletrônica, é possível qualquer funcionamento do tempo, com a superposição das mais variadas complexidades rítmicas, o que evidencia um distanciamento cada vez maior dos ritmos humanos e dos provenientes da natureza. A música eletrônica – nova linguagem do nosso século – largamente difundida em danceterias e casas noturnas, tem como partitura um diagrama acústico com cifras, linhas curvas e outros sinais que representam o tratamento dado ao ritmo e ao som contemporâneos, atraindo assim cada vez mais pessoas para esta prática de movimento.
Característica essencial de todo ser vivo, animal ou vegetal, o movimento está subordinado às leis de ordem cíclica e ao ritmo. Embora indispensável à vida, o homem do nosso século, estimulado pelo progresso tecnológico e pela evolução surpreendente da máquina, já não se desloca ou se move como os seus antecessores no planeta. Por esta razão, nos dias atuais, torna-se imprescindível que o movimento corporal seja incluído entre as práticas necessárias á vida moderna. (CAMARGO, 1994). Utilizando adequadamente o “instrumento” natural, “o próprio corpo”, o homem é recompensado por sensações de prazer e bem-estar, descobrindo ainda, poder expressar-se através dele tão bem ou melhor do que com a própria palavra.
No mundo contemporâneo, a introdução definitiva da música na Educação Física, nas Escolas e nos estabelecimentos de ensino em geral, integrada ao movimento, contribui para a educação dos sistemas psicomotor e neuromuscular, desenvolvendo ainda o sentido de direção; indica automaticamente o ritmo; afasta o clima de monotonia que se instala pelo marcar exclusivo do ritmo. Assim, sendo, ela tem a capacidade de produzir a combinação dos elementos físicos e psicológicos, resultando na coerência almejada entre as duas formas de movimento.
A dança no sentido pedagógico, é cautelosa também no sentido de faixa etária, relação não observada em outros estabelecimentos de pura diversão e entretenimento. A faixa etária é um aspecto que não pode ser desconsiderado, quando se tem em mente adequar o repertório musical às atividades motoras.
Às pessoas de idade mais avançada, a música deve oferecer possibilidades de execução de movimentos rápidos e lentos, alternados com o elemento de repouso psicossomático, perceptível e pronunciado. Para as crianças, o Folclore, oferece “garantias de força e de pureza para constituir-se no primeiro alimento musical delas”.(CAMARGO, 1994).
Na expressão de MORIN (2001) “A educação deve contribuir em qualquer sentido para a autoformação da pessoa, ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver.”
O objetivo da educação na dança, não se faz somente no sentido de transmitir conhecimentos sempre mais numerosos ao aluno, mas o de estimular uma aptidão crítica e auto-crítica, não somente em relação à dança, mas também aos grandes problemas da vida.
CAMARGO, Maria Lígia Marcondes de. Música / Movimento: um universo em duas dimensões; aspectos técnicos e pedagógicos na Educação Física. Belo Horizonte: Vila Rica, 1994.
terça-feira, 16 de março de 2010
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